Casal preferiu o cão ao filho adoptivo
Em 2006, ao fim de uma semana, um casal da Região Centro devolveu a criança que lhes foi confiada, porque não se dava bem com o cão. "O cão já estava com a família há muito tempo", terá sido a explicação. Esta criança é uma das 80 que foram devolvidas às instituições nos últimos quatro anos, durante a fase de pré-adopção, período experimental de seis meses em que vivem com os pais adoptivos.
Os motivos que levam os candidatos a desistir são vários e ao que o CM apurou junto de algumas instituições de acolhimento, que preferem manter o anonimato, nem sempre são os mais razoáveis. Confrontado com estas situações, Luís Villas-Boas, psicólogo e director do refúgio Aboim Ascensão, no Algarve, congratula-se por ter contribuído, juntamente com a procuradora Joana Marques Vidal, para agilizar a lei da adopção, mas conclui que ainda há muito a fazer. 'Não conheço o caso, mas a ser verdade isso deveria ter sido detectado na avaliação do perfil do casal.'
Estima-se que ocorram cerca de 20 'rejeições' por ano. Só no ano de 2007, foram devolvidas 17 crianças. Entre estas estão dois irmãos, um de cinco e outro de sete anos, cujos pais adoptivos os devolveram à instituição apenas 12 dias após os terem levado para casa. Atirar comida um ao outro, gritar, ofender os empregados dos restaurantes ou baterem-se constantemente foram alguns dos comportamentos que o casal não suportou.
Há quem os devolva porque cede à ameaça familiar de perda de herança, ou porque a criança tem más notas. Foi o caso de João (nome fictício), 13 anos, que em 2008 foi devolvido e separado da irmã. João passou, em Janeiro deste ano, a fazer parte das estatísticas de sucesso. Teve sorte e foi adoptado novamente. As suas notas também subiram.(...)


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