Não Praticante !?

O que é ser-se Católico Não Praticante (CNP) ?
Grande parte dos meus amigos e conhecidos faz parte de uma – relativamente nova – religião: são católicos-não-praticantes. E eu sempre me questionei o que era isso de ser adepto de algo que não se pratica. Inicialmente a associação com os clubes de futebol era suficiente. Eu sou adepto do clube X, mas não sou praticante desse clube, ou seja, gosto mas não sou sócio. Pronto, era uma justificação plausível – a meu ver e considerando a minha tenra idade (muito gosto desta expressão), apesar das partes das quotas ser sempre polémica quando se fala de religião.
Ok... agora já estou mais crescido (não vou questionar se tem vantagens :) ) e a ideia de ser adepto de uma religião que não se pratica, parece-me um grande absurdo. Quando se fala em religião, fala-se de alma, de fé, de acções. É simplesmente impossível fazer parte de algo tão íntimo sem se praticar.
A “modalidade não-praticante” provavelmente foi criada com o sentido de tornar confortável algo que deveria exigir muito de nós. Tem muito a ver com a sociedade actual, hipócrita e doida. E muitos pactuam com esta modalidade, e cada vez mais, considerando que as pessoas não têm tempo para se dedicar às questões da alma, apesar de continuarem a querer estar relacionados com uma religião. Soa ridículo, não ? A mim, bastante ! Há muita coisa na nossa sociedade que está liderada por pessoas não-praticantes. Desde os políticos que estão afiliados a partidos dos quais já não conhecem a sua ideologia, até ao povo que está afiliado a religiões que não pratica.
O que define um católico são as suas acções, é o catolicismo. Fazer parte do rebanho (does it rings a bell or it seems just too funny ? :) ), o AMOR PELO PRÓXIMO (e não, isto não se refere apenas ao amor pelos vossos filhos ! O próximo são todas as outras pessoas com quem convivem... for God sake !). Quem não sabe o que é o catolicismo e não pratica a sua doutrina, nunca será católico, por muito que soe bem continuar a dizer que o é. Se o objectivo é simplesmente poder baptizar os filhos e poder casar pela igreja católica, esqueçam... estão envolvidos numa grande confusão espiritual. Definam-se. Não brinquem com as questões da crença e da alma, não a coloquem no mesmo saco das questões práticas do dia-a-dia, não faz qualquer sentido. Ir à missa apenas quando há um erro a confessar ou simplesmente quando a bagagem de erros já é demasiado pesada para carregar é simplesmente um absurdo, é utilizar a igreja apenas como um serviço-público-de-conforto-de-alma (soul cleaner in a box), uma porta de entrada para os pecados que se seguirão... porque a igreja perdoa... mesmo os católicos que não praticam. Porque eu posso fazer o que me apetecer, simplesmente porque acredito em Deus e porque de vez em quando vou limpar a minha alma ali à minha igreja preferida. A Bíblia já não é o guia do católico, aliás, poucos a leram, poucos a conhecem verdadeiramente. Os 10 mandamentos são adaptados à versão cómoda e hipócrita da sociedade actual. A própria igreja por vezes pactua com este tipo de catolicismo que não o é. O Papa actual tem muita razão em ser fundamentalista, porque fazer parte de uma religião não é fácil, porque fazer parte de uma religião não é apenas para parecer bonito. É para dar trabalho, é para dedicar com alma e amor. ALMA e AMOR, essas mesmas entidades... cada vez mais em extinção irremediável.
Eu não sou católico, não tenho religião, mas há muita “coisa” em que acredito e que não abdico. Prefiro assim que viver uma vida de falsas crenças em causas inúteis, a defender com vigor algo que nem me atrevo a praticar... a hipocrisia irrita-me e não consegue conviver comigo.


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