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terça-feira, 9 de Janeiro de 2007

"Lei" do Aborto

Eu não sou nem contra nem a favor da lei do aborto. Para mim, nunca devia ter existido a lei do aborto. Quer isso dizer que eu sou a favor que as pessoas abortem ? Sim. Se há pelo menos 1 pessoa que morre porque fez um aborto “clandestino”, então eu sou a favor que as pessoas possam abortar com o mínimo de risco possível. Mas a minha opinião vai mais longe. O aborto, para mim, é uma questão para as mulheres. Porque vos garanto, se fosse o homem que tivesse que ir para o bloco operatório, não haveria qualquer mulher no mundo que fosse decidir por ele, talvez nem opinar ! Quer isto dizer que o homem não deve ter uma opinião sobre o aborto de sua companheira ? Absolutamente. O homem deve opinar e até bater com o pé no chão… mas a decisão é da mulher e sempre será.
Esses "machos" que vão para o café discutir esta lei, cheios de motivos e arrogância e que dizem “se fosse a minha mulher, eu…”… calem-se ! Que sabemos “nós” sobre isso ? Voltem lá para o tema desportivo.

Só uma nota… enoja que esta questão se tenha tornado política e religiosa…
E ainda outra: quem compara o aborto à pena de morte, sofre de um grave distúrbio mental.
Mais ainda... alguém acredita mesmo que se a lei for aprovada as pessoas vão deixar de pensar antes de abortar ?

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11 Comments:

Anonymous rui said...

e ninguém fala na interrupção voluntária da criação musical. - O ABORTO MUSICAL. É crime?
Será o embrião musical já música ou não ? Até quantos compassos de gestação ainda não se considera música? Técnicas de aborto musical ? O aborto musical na sociedade ocidental ?
Quais os meios contraceptivos musicais e as doenças musicalmente transmissiveis?

Terça-feira, 09 Janeiro, 2007  
Blogger Rolicinha said...

A discussão acerca da IVG causa-me sempre grande angústia e é um tema que não me agrada particularmente. Estive nas mesas de voto durante o 1º referendo e é uma situação bastante desconfortável.

Isto porque é uma questão muito complexa que divido entre a minha perspercyiva individual sobre o tema e a liberdade que outras têm de carregar durante 9 meses um filho não desejado.

Pessoalmente, creio que não faria uma IVG, porque em princípio seria fruto do meu amor por alguém e porque tenho condições de ter a criança e, acima de tudo, porque desejo ser mãe.

No entanto, não tenho a presunção de obrigar outrém a ter um filho, impondo assim o meu arbítrio.

Por outro lado, as minhas convicções religiosas não passam por encarar a mulher como mero transporte da vontade de Deus na Terra, embora entenda esta perspectiva.

Acima de tudo, acredito que esta questão, de saúde pública, não é referendável, porque estamos num Estado laico e como tal, o Estado deve assegurar que um problema de saúde seja resolvido, sem pedir autorização para isso.

Sobretudo, não usemos de demagogia para os argumentos pró e contra e que o debate mantenha um nível de equilibrio e de sensibilidade que esta questão merece.

Terça-feira, 09 Janeiro, 2007  
Blogger Carlos said...

Ou anda tudo louco ou então já não percebo nada desta civilização!! Se calhar não percebo mesmo nada disto!?!

Mas alguem, com 2 dedos de testa ou com o mínimo de decência intelectual e moral, poderá responder NÃO neste referendo?!

Eu, sem me sentir nenhum defensor da decência, até porque tenho os meus telhados de vidro (quem não os tem?) votarei SIM (e é a primeira vez que me dou-o ao trabalho de ir votar). O meu SIM, mais que não fosse, seria pela hipócrisia que esta discussão encerra!!

Terça-feira, 09 Janeiro, 2007  
Blogger Yasmin said...

A discussão sobre a Penalização da Lei do Aborto, é por si só, um verdadeiro aborto.
Por uma razão muito simples: há uma "contra-informação voluntária de informação" que aborta as mentes menos informadas, e nem com um "Cancel", Abort Task", ou o típico "Reboot a coisa lá vai... Formata-se! (isto é um aborto, não??)

A Igreja é clara, comparando o Aborto a um acto Terrorista, uma profanação do que de mais sagrado há:a vida de um embrião humano! Uma Vida

O Estado divide-se. Uns apelam ao Não, promovendo a ideia de que esta Lei irá apenas favorecer o florescimento de Clínicas de Aborto, imaginando já, o grande negócio que poderia ser para alguns.

Outros, defendem o SIM,porque... SIM! Porque querem estar ao lado das Mulheres. Porque querem mostrar que são tão Intelectuais e Liberais como outros países Europeus, onde esta Lei já vigora.
Porque acham que a Mulher tem o direito de decidir sobre o seu Corpo, pesando as limitações que incorrem ao trazer uma criança ao Mundo.

Mas... mas... e afinal, fala-se tanto de respeito pela Vida, da Ética, e dos Valores Morais, e...O aumento dos maus tratos em Crianças? E as mortes causadas por maus tratos? E a falt de condições para ter filhos, nas Sociedades de hoje?...
Será melhor, a favor da Moral e dos Bons Costumes, da Ética Social, e dos Valores Religiosos, trazer um ser-humano ao Mundo, quando não há condições psicológicas, sociais, financeiras, ou morais, para tal?

Alguém se questiona sobre... E depois dessa criança nascer?
O que vai ser a Vida daquela criança?...

Para terminar... Num Estado Democrático, em que cada cidadão tem liberdade de agir sobre si, da forma como entender, numa Sociedade do Sec. XXI, com acesso a informação, quem tem ainda a leviandade de pensar que por se responder NÂO num referendo sobre esta Lei, se termina de vez com os Abortos Ilegais, com os casos infelizes de Mulheres que, por escassez financeira, terminam mortas numa cama de uma clinica de "vão de escada", sem condições de praticar abortos com segurança?

Caros... Chega de Hipocrisia!
Sejamos honestos, porque falamos de uma coisa muito séria. Falamos de Vida! Não de morte!
Abortar a Lei do Aborto, é Abortar a Consciência Moral de uma Democracia Hipócrita, de um Poder Religioso Cego, Surdo e Mordaz. É Abortar o Respeito pela Igualdade entre Cidadãos. É Abortar a o respeito pela VIDA!

Terça-feira, 09 Janeiro, 2007  
Blogger Carlos said...

Yasmin,
Por muito jeito que eu tivesse para escrever, jamais conseguiria sintetizar tão bem o que sinto, sobre este tema, como o teu texto o faz!!
Etá aí tudo, só não vê quem não quer!!!

Quarta-feira, 10 Janeiro, 2007  
Blogger Sophy said...

Apesar de tar completamente farta deste tema concordo em absoluto com o post. Ser a favor da despenalização não significa ser a favor do aborto mas simplesmente da liberdade de escolha.

Quarta-feira, 10 Janeiro, 2007  
Blogger Yasmin said...

Carlos,
obrigada pela tua nota.
De facto, acho que todos estamos de acordo com o motivos pelos quais defendemos o SIM.

Admiro-me como nem na Televisão Pública há uma debate franco, objectvo e muito pragmático sobre este tema...
Bjs. E continua a escrever, pq o fazes muito bem.
Yasmin

Quarta-feira, 10 Janeiro, 2007  
Blogger Muse said...

Este texto abaixo ja o tinha escrito sobre o mm tema num outro blog, por isso aqui fica a minha opinião:

O Aborto e a forma como é tratado pela igreja é uma das mtas coisas que me fez afastar da igreja...

é só começarmos a pensar pela nossa cabeça e vemos que há algo mto errado com as ideologias defendidas pela religião...

é claro que ninguém está a defender o aborto como forma contraceptiva (claro que haverá gente que o irá fazer, mas é uma ínfima minoria), os abortos nunca deixaram e nunca deixarão de ser feitos, por um motivo ou por outro quem quer fazer faz, quem acha que é a opcção correcta faz, isto é uma coisa que até um cego vê!!!!

Há mta hipocrisia, mtas tias a defender o não, e que q convenientemente esquecem as viagens a Espanha, não é??

Trata-se obviamente de um situação de minimizar os riscos que neste momento se vivem cá, para as pessoas q têm q abortar, as condições sub-humanas em q são feitos, etc... claro q os tais q defendem o não e q têm dinheiro podem sempre ir aqui ao lado tratar do assunto sem que ng saiba!!!

Eu não sou a favor do Aborto, sou a favor da despenalização do Aborto!

E quem fala em aborto, fala em Eutanásia, fala em preservativos... ficava aqui a noite toda...

por causa destas e de outras é q apesar de toda a formação cristã/católica que tive, neste momento sou agnóstico, acredito que haja algo superior, um Deus, mas não acredito em nenhuma destas religiões da treta que andam aqui em baixo a querer falar por ele!

Desculpem se ofendi alguém, mas é apenas a minha opinião e vale o que vale!

Quinta-feira, 11 Janeiro, 2007  
Blogger Jorge said...

No fundo, resumindo e baralhando, a pergunta nunca deveria ser se concordamos com a interrupção voluntária da gravidez, mas sim se devia existir alguma lei dessas ou não. Estamos a colocar em causa a liberdade das pessoas decidirem por si mesmas sobre um tema que lhes é muito íntimo... as nossas vontades, ideias e convicções não devem interferir com as vontades, ideias e convicções alheias. E como a nossa sociedade gosta de interferir com a liberdade dos outros... já noutras questões mais importantes não "somos" capazes de mexer uma palha...

Sexta-feira, 12 Janeiro, 2007  

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