Poema (II)
Deixa que o momento seguinte cresça em ti,
sem que o forces, como um relógio silencioso
cujo ritmo nunca muda mesmo quando ninguém o olha.
Sempre diferente a multidão, sempre o mesmo o mecanismo:
o tique-taque continua, insensível às mudanças.
O compasso seguinte:
entram novos olhares em cena, o ritmo altera-se e o relógio quebra-se.
No primeiro mecanismo só a ilusão se mantinha constante.
A eternidade tem sempre limites definidos pela mudança,
que retira o véu do engano à realidade anterior.
EC
sem que o forces, como um relógio silencioso
cujo ritmo nunca muda mesmo quando ninguém o olha.
Sempre diferente a multidão, sempre o mesmo o mecanismo:
o tique-taque continua, insensível às mudanças.
O compasso seguinte:
entram novos olhares em cena, o ritmo altera-se e o relógio quebra-se.
No primeiro mecanismo só a ilusão se mantinha constante.
A eternidade tem sempre limites definidos pela mudança,
que retira o véu do engano à realidade anterior.
EC


1 Comments:
E ainda bem que o relógio vai quebrando, agora e depois, senão já viste a monotonia? :-)
A eternidade é éfémera, com certeza. Escorregadia. De olhos fechados podemos talvez preservá-la durante mais tempo, mas perde metade da piada. A vivê-la, deve ser de olhos bem abertos e de coração escancarado, pelo tempo que ela subsistir.
Como dizia o amigo Vinicius de Moraes acerca do amor, "Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure."
bjinhos :-)
ms
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