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E o mais importante continua a ser o AMOR

sexta-feira, 14 de Julho de 2006

Exmo. Sr. Primeiro Ministro,


Não se consegue trabalhar com este calor. Tenho 22 pessoas à minha volta a suar as estopinhas (literalmente) o dia inteiro para despachar o dito; e para cúmulo, por incompreensíveis medidas de segurança, as janelas do escritório não abrem. Dantes ainda tínhamos o ar condicionado mas andávamos todos engasgados e ranhosos, e como tal desligamo-lo. Agora já ninguém espirra nem tosse, é um facto, mas suamos que nem porcos. Correcção: que nem porcas. Isto por aqui é mais mulheres (felizmente jovens, só nos faltava ainda os calores da menopausa para ajudar à festa). Em suma: está uma tosta que não se pode.

Como V. Ex.ª decerto conclui pelo cenário acima descrito, a produtividade destes últimos dias não tem sido muita. Está aquém do desejado. Fede. Fica mal ao país. A título de exemplo: na última reunião de departamento fizemos um brainstorming acerca de melhorias a implementar aos nossos processos gerais. Os tópicos mais repetidamente abordados foram:

1) praia/mar
2) cocktails
3) gajos giros em calção de banho
4) cadeiras de baloiço/redes
5) gajos medianamente giros em calção de banho
6) sestas
7) esplanadas com música
8) gajos de qualquer espécie, desde que em calção de banho

A meu ver há aqui claramente (e humildemente, também) uma distorção de prioridades. V. Ex.ª certamente compreende e anui; afinal de contas, na Assembleia da República também deve fazer um calorzito jeitoso. E com as habituais discussões parlamentares, ui ui, então é que o mercúrio deve subir nos termómetros! Daí que o ideal (para o país como um todo, entenda-se) fosse sair uma leizinha que proibísse os cidadãos de trabalharem em dias nos quais as temperaturas atingissem os 25ºC ou mais. Fechava tudo, digamos, excepto os hospitais e os barzinhos de praia. Ah sim, e os bombeiros teriam também que estar de plantão, coitados, que isto da piromania dá-lhes mais, aos atrasados mentais do costume, por esta altura do ano – vá-se lá saber porquê.

Era uma leizinha para estes dias, Sr. Primeiro Ministro. Qualquer coisa do estilo:

“Em situação de temperatura ambiente igual ou superior a vinte e cinco graus centígrados, fica o povo português obrigado pela presente lei, e sob pena de sanção severa em caso de incumprimento da mesma, a organizar-se em grupos de cinco ou mais cidadãos, os quais deverão deslocar-se em seguida até à praia mais próxima, acender uma fogueira (com as devidas precauções), dançar em corpo nu ao redor da mesma e finalmente rebolar pela areia fora até ao mar.”

Parece-me bem e sem sombra de inconstitucionalidade. Que me diz V. Ex.ª?

Com os mais respeitosos cumprimentos,
ms

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